sábado, 7 de abril de 2007

Retrato meu...


A chuva cai lá fora…eu, deitada, escrevo o que me vai na alma, um pouco forçado, talvez porque precise de desabafar. Sobre quê? Sobre tudo, sobre todos, sobre o futuro, o presente, rebuscando ainda pedaços repartidos de um passado distante…
Não sei bem por onde começar…há tanto a dizer, mas sinceramente não sei como me explicar…
A minha cabeça pensa demais, eu sei, talvez tenha um pouco de Fernando Pessoa em mim, aquela sua faceta de pensador constante, questionando o tudo e o nada, repartindo-se em fases, em pessoas, em estilos, em diferentes personalidades. A triste conclusão a que chego é que foi exactamente esta faceta que o matou mais tarde…espero sinceramente não morrer por tanto pensar, mas acredito e afirmo, que perco bastante tempo pensando…penso no que já fiz, no que quero fazer e no que pode acontecer se o fizer, no entanto o mais engraçado é que faço sempre a escolha que me causa maior tormento depois, maiores perdas, maiores desilusões…mas talvez mais experiência, mais personalidade, mais vivência e mais adrenalina.
Tal como Fernando Pessoa, não querendo de forma alguma comparar-me a tal génio literário, sinto coisas que mais ninguém sente…sinto frio em dias de calor, sinto dor a ter prazer…esta incoerência de sentimentos, esta panóplia de sentidos que me desgastam e me envelhecem a cada dia…vivo no mundo dos porquês, dos “como’s” constantes. Porque é que fiz aquilo? Como é que fui capaz? Porque é que sinto isto? Como é que vai acabar? Como é possível? Será que é verdade? Eu questiono os factos, os sentimentos, as pessoas…inferiorizando-me, por vezes, a um mundo que não devo, a pessoas que não merecem, a acontecimentos mesquinhos, esquecendo-me de mim.
É verdade, sou dramática, compulsivamente sistemática, parece que gosto de pensar, repensar, lembrar, relembrar…entretanto vou desabafando sentimentos sem sentido, tormentos banais…acho que não passo de uma sentimental sem retorno, uma amante dos prazeres da vida…por mais que pense, o meu coração é sempre mais forte. Porquê? Não sei…

Um comentário:

Mafalda Soares disse...

Fernando Pessoa é um grande mestre e, embora muita gente pense que não existe um Pessoa em si, a verdade é que esse espírito de inquietação atormenta todo o ser humano.
Como vês não és a única a questionar-te sobre tudo =)
E ao contrário do que possas pensar, pensar faz bem =]

Beijo **